Aquele dia foi diferente, as palavras quando proferidas pareciam folhas ao vento
mas ao acordar naquela manhã, pesavam como chumbo no peito
A dor era latente, eram como pontas agudas que teimosamente tentavam ultrapassar
Sentia cada palavra como sopros de vento em uma tarde fria e sombria de inverno em meu rosto.
Tinha como que um nó na garganta, meus olhos estavam secos
As lágrimas haviam secado, como um rio em uma longa estiada de chuvas...
O corpo estava rígido, como em alerta pra receber uma punhalada
Por causa disso meus ossos, até minha pele doía.
Não sentia fome, como se um bloqueio houvesse...
Então com o coração em frangalhos e a alma em pedaços de joelhos caí
Afinal? porque eu estava a consentir sentir tamanha dor?
Havia eu por ventura provocado tanto rancor?
Em algum momento estupidamente de meus lábios saltaram fel?
Por mais que tentasse lembrar, nada fiz para que provocasse aquela avalanche de injúrias, difamações e desdem...
comecei, quase que maquiavelicamente maquinar uma vingança,
Como torrentes começaram a brotar pensamentos de maldade,
cheguei a sorrir por momentos ao imaginar tamanha dor que poderia causar
Aquele indivíduo que sem pestanejar me alvejou...
Mas então, de repente um raio de luz adentrou em meu quarto
Não era uma simples claridade agora presente ali,
Era como alguém que queria me falar algo,
Então percebi que mesmo tendo um plano certo a praticar
Sentia me ainda mais em angústia, aflição, e a dor parecia ter aumentado em meu peito.
A luz que invadiu meus aposentos era direcionada bem em cima de um livro
Fui até lá e peguei-o, era uma Bíblia.
Sua capa preta, agora empoeirada, como a me lembrar que eu a tinha deixado de lado, esquecido-a por completo...
Ao abrir, deparei-me com a história de um homem, que foi incompreendido por aqueles que só o que ele fez foi amar e doar-se por inteiro.
Foi brutalmente humilhado, esbofeteado, cuspido em seu rosto, seu corpo ficou como uma peneira, sangue o cobriu até seu último brado, e mesmo assim, ele disse ao Pai: "...perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem..."
Cobri minha cabeça com as mãos e agora grossas gotas de lágrimas rolaram em meu rosto, até inundar meu colo...
Senti-me tão pequena em não saber perdoar e ainda planejar algo ruim, pensando que ao fazer isso minha alma seria livre...
Agora, caí ao chão e lamentei, lamentei por mim, tão pequena, tão pobre de espírito, sentindo pena de mim mesma.
Naquele momento senti necessidade em conversar com aquele homem, sim Ele saberia o que me dizer, pois tudo que estava eu sentindo ele havia passado e muito mais, e mesmo assim em sua alma não pousou sombras de mágoas ou sentimentos de vingança.
Agora, falei com Ele, derramei meu espírito aos pés, sua presença era tão real quanto à luz que entrara em meu quarto e que agora repousava sobre mim.
Chorei, chorei muito naquela manhã, mas quando abri meus olhos uma paz indescritível tinha se apoderado de mim, sentia meus lábios pronunciarem um largo sorriso, minha alma estava em paz, meu peito estava tranquilo, não sentia dores!
Lembrei das pessoas que me haviam magoado e entristecido, senti compaixão delas, um desejo enorme de interceder a Deus por elas e assim fiz.
Agora, sai aos pulos, pisei na relva, agora banhada por completo com aquela luz refulgente e esplendorosa!
Pássaros cantavam, vi também colorir o ar lindas borboletas, cigarras em sua sinfonia sem fim, ecoavam por entre as inúmeras flores que cobriam uma vasta área, afinal chegará sua época, seu tempo de enfeitar e cobrir de cores a terra.
Sentia-me renascida, pronta para amar, amar sem pretensão, amar sem rodeios, sem pudor...
Amar até aqueles que insistiam em me desanimar.
Afinal, encontrei o dono do amor, Deus, o próprio amor!!
Drik@

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