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domingo, 30 de setembro de 2012

Não soube dar amor...


Fiquei ali, sentado na minha poltrona a observar 
Eram crianças sorridentes, adultos sérios mais que transpareciam paz
Porque ninguém vinha me ver?
Tinha certeza agora da sombra que pairou por algum tempo em minha mente em tempos áureos
quando tinha disposição e garra para labutar.
Agora sei  que empreguei minha saúde e juventude em coisas superfulas
Não tinha tempo para minha esposa, pois tinha que sair cedo e voltar tarde para casa
afinal, tinha que superar as vendas naquele mês, tinha que ser o melhor!
Não dei atenção para meus filhos, quando em sua inocência clamava ao prantos por carinho e aconchego
Irritava-me fácil, com as gargalhadas da família, quando eu decidia descansar.
Ficava aborrecido quando a comida não tinha o sabor que desejava...
Nunca lembrei de agradecer a Deus pela aquela mulher que incansavelmente trabalhava em minha casa
Sua rotina era organizar a rotina de todos nós,mas quando ela esquecia de algo, logo alterava a voz e a ridicularizava...
Não fui a formatura dos meus filhos, em nenhuma, afinal porque ir a formatura de um jardim de infância? então, assim foram todos elas, a meu ver eles não estavam fazendo mais que a obrigação.
Amava-os, mas nunca soube demonstrar, achava que eles sim tinham obrigação de serem carinhosos e gentis comigo.
Mas então o tempo passou, os anos chegaram, e a saúde e disposição se foram...
Adoeci, vi meu filhos crescerem, casarem e terem filhos.
Então quando já sem trabalhar e sem saúde me vi, eles me puseram nesta clínica, achei de cara injusto
Como assim? fazer isso com o próprio pai?
Então dias e dias se passaram, não mais os vi...
E agora, sozinho aqui vendo todos meus colegas receberem visitas e eu não ,entendo o por quê.
Não semeei amor, nem carinho, nem respeito, muito menos compaixão, não tive tempo para estar com eles, como iria eu querer tal reconhecimento?
Então lentamente baixei meus olhos, e sobre as mãos depositei agora este rosto tão cansado, triste, e decepcionado e chamei a Deus, será que ele me escutaria? visto que nunca me dirigi a Ele? 
Mas assim mesmo clamei, lágrimas escorreram em meu rosto,senti-me pequeno, desprotegido e indigno, pedi perdão por tantas e tantas vezes não ter agradecido pela linda família que possuía, pelos bens que tinha, pela saúde que sempre tive, pedi perdão por todas as vezes que reclamei da vida e de tudo, pedi perdão à ELe por ter sido tão negligente com as dádivas que me tinha incumbido...
Chorei muito, lavei a alma e quebrantei meu espírito, senti de repente uma mão suave a pousar em meu ombro e outra mais suave ainda em meu colo, abri os olhos e qual foi minha surpresa ao deparar-me com eles, aqueles a que não ensinei o amor e nem a compaixão, estavam ali diante de mim, minha esposa, meus filhos e meus netinhos .
Os sorrisos que tinham em seus rostos iluminavam agora meu dia, meu mundo, agora sentia-me perdoado por todos os anos que perdi sem dar e receber ternura, abracei-os e pedi pela primeira vez perdão por tudo, fiquei ali algum tempo falando uma a uma minhas faltas para com eles, e eles com afagos aceitaram meu pedido de perdão e cobriram-me de carícias...
Agora estava feliz, podia partir, pois sentia que  tinha aprendido a amar!!

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